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28/07/2010 - 00h04
Déficit externo recorde é insustentável, diz tucano
Na avaliação de Hauly, conta será paga novamente pelo contribuinte

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Brasília (27) – Com a crescente remessa de lucros e dividendos para o exterior e a falta de estímulo à exportação, o saldo das transações correntes, que mede o desempenho das compras e vendas de bens, rendas e serviços do Brasil com o resto do mundo, fechou o primeiro semestre do ano com déficit de US$ 23,762 bilhões, pior resultado desde 1947.

"Esse déficit é insustentável", avalia o economista e deputado Luiz Carlos Hauly (PR). Ele teme um ajuste desequilibrado da taxa de câmbio e, consequentemente, uma desaceleração da economia. "Os problemas estavam sendo apontados – elevada taxa de juros, falta de incentivo à exportação e excesso de gastos públicos – e nenhuma providência foi tomada", afirma. "A conta, novamente, vai sobrar para o contribuinte."

Só em junho, o déficit em transações correntes ficou em US$ 5,180 bilhões, o pior para o mês desde o início da série histórica, segundo o Banco Central. Em junho do ano passado, o saldo negativo foi bem menor, de US$ 575 milhões. O Banco Central prevê fechar o ano com déficit de 2,49% do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas as contas externas já vinham dando sinais de deterioração. Um mês antes o saldo negativo havia sido de US$ 1,988 bilhão – número revisado. E em abril, ficou no vermelho em R$ 4,58 bilhões, valor recorde para o período. Os dados são do Banco Central (BC).

O saldo em transações correntes passou de um cenário favorável ao alerta, na análise do deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (ES). Iniciou a década, em 2001, com déficit equivalente a 4,19% do Produto Interno Bruto. Mas, constata Vellozo Lucas, em função da política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, como controle de inflação, câmbio flutuante e meta fiscal, a conta passou a ter superávits.

A partir de 2008,  os números voltaram a experimentar déficits. "Podemos verificar erros na condução da política econômica do PT. O País tem elevada taxa de juros, fazendo com que as exportações percam competitividade. Assim, as transações correntes voltaram a ser negativas", conclui Vellozo Lucas.



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Imprimir essa página Agência Tucana

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