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28/07/2010 - 00h02
Correios abusam produzindo cartilhas para candidatos
Para Duarte Nogueira, irregularidade é reflexo do aparelhamento político

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Brasília (27) – Submetida a um processo de loteamento político, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, operadora dos serviços postais do Brasil, na avaliação do deputado Duarte Nogueira (SP), comete "abusos" como o lançamento de material orientando candidato a se comunicar com o eleitor, prática não relacionada à atividade da estatal.

Para o deputado, a estatal abriu as portas para a corrupção. "O PT atua sem nenhum pudor com a legalidade e constitucionalidade, requisitos do Estado na qualidade de gestor do dinheiro público. E, assim, a empresa, que já foi considerada símbolo de excelência e confiabilidade da população brasileira, está sujeita a todo tipo de corrupção", lamenta.

Como mostra a Folha de S. Paulo na edição desta terça-feira, a "Cartilha Eleitoral", publicada no site dos Correios, orienta como deve ser a comunicação do político com o eleitor para ter sucesso na campanha. Com a venda do material, a estatal espera aumentar seu faturamento.

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra (SP), já havia alertado para a conseqüência do loteamento da máquina pública. Para ele, a prática ocorre em todos os setores do governo. "Usar o governo para fins privados atingiu o ponto mais elevado da história com o PT, que sempre foi o arauto da moral e da ética. Isso traz ineficiência e corrupção."

Um exemplo citado pelo candidato é a Agência Nacional de Saúde (ANS), que também acolhe aliados do governo. Um diretor da agência, por exemplo, teria sido reconduzido ao cargo, apesar de relatório da agência ter indicado problemas graves de procedimento na sua gestão. Tudo por ser um apadrinhado por um petista.

À parte a produção de material não relacionado à sua atividade, os Correios enfrentam crise no atraso de entrega de correspondência. Por exemplo, o serviço de Sedex 10, realizado entre os estados brasileiros, foi suspenso em fevereiro nas regiões Norte e Nordeste – à exceção da Bahia. O Sedex 10 deveria fazer entregas até as 10h do dia seguinte à postagem.

De acordo a Folha, os Correios não conseguem entregar Sedex de um dia para o outro em 285 percursos (35% do total) ligando capitais de todas as regiões do Brasil. Quem perde com nesse caso, segundo Duarte Nogueira, é a sociedade brasileira, "que não tem serviço adequado".



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Imprimir essa página Agência Tucana

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