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07/02/2010 - 12h10
Tucanos ainda creem em apoio da base pepista
Deputados do PSDB analisam a relação com o governo como “horrível”, mas com as bases, em especial no interior, como “excelente”. Prova disso seria a recepção que Marconi Perillo estaria recebendo em municípios do interior.

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

O problema entre PSDB e PP está na cúpula, não na base. Esta é a avaliação feita pelo deputado federal Carlos Alberto Leréia e pelo deputado estadual Daniel Goulart, ambos tucanos e maiores franco-atiradores do partido. Os dois analisam a relação com os pepistas do governo como “horrível”, mas com as bases, em especial no interior, como “excelente”. Prova disso seria a recepção que Marconi Perillo estaria recebendo em municípios do interior.

Como pré-candidato tucano ao governo estadual, Marconi vem percorrendo diversos municípios, nos quais tem recebido apoio de membros de partidos que integram a Nova Frente. Na quinta-feira, 4, de acordo com Daniel Goulart, o senador foi recebido com entusiasmo por pelo menos quatro prefeitos pepistas (Carlinhos do Araguaia, de Nova Glória, João Albino, de Ipiranga, José Luis Fernandes, de Rubiataba, e Divan Resende, de Uruana) e um peemedebista (Deny, de Morro Agudo).

Para o deputado, se o PP ouvir suas bases, a chance de vitória da aliança que venceu as últimas três eleições estaduais é grande. Caso contrário, ele cogita até mesmo a possibilidade de intervenção do diretório nacional pepista para garantir a união. No entanto, essa hipótese parece distante, já que além do PP fazer parte da base do presidente Lula a nível nacional, o governador Alcides Rodrigues é seu presidente de honra.

Se a relação é tão ruim, porque o PSDB ainda permanece no governo estadual? A explicação de Goulart é que nem o PP e nem os demais partidos da Nova Frente teriam quadros suficientes de gestores para ocupar todos os postos do governo. E mesmo assim, os tucanos que ainda seguem no governo estadual estariam em funções ou apenas técnicas ou totalmente esvaziadas, como o caso do secretário de Governo, Fernando Cunha.

Goulart ainda acusa o governo estadual de pressionar estes membros do PSDB que atuam na gestão estadual, e cita o presidente do DETRAN, Bráulio Morais, que teria reclamado a ele da intensa tentativa de “cooptação” que estaria sendo feita pelo governo. Outra reclamação do deputado está na distribuição de cargos a pessoas que não fariam parte de partidos da base governista, em especial petistas e peemedebistas. No entanto, ele não considera este fato como um sinal de aproximação com pretensões eleitorais, mas sim de boa vizinhança e uma tentativa de manter as bancadas destes partidos na Assembleia Legislativa ao lado do governo.

De acordo com uma liderança pepista, não há como negar que existem pessoas dentro do partido com tendência de apoiar o senador tucano. Isso teria sido gerado pelo fato de que o PP abriu as portas de muitas comissões provisórias no interior para aliados de Marconi. Estas pessoas não poderiam ser consideradas, por isso, pepistas de fato. E agora vão ter que optar entre serem ou não fiéis ao governador.

A questão é que Marconi, dentro da base aliada ou do que restou dela, é o único nome que vem apresentando perspectivas reais de poder. Muito além da questão de ter sido colocado no cargo por um ou outro, há a necessidade de pensar no futuro. Prefeitos, vereadores, candidatos a deputado, lideranças locais, são em boa parte guiados por isso.

E o fato da base alcidista ter vários nomes, ao contrário do pensamento que a cúpula tenta passar, nem sempre agrada as bases. Ao contrário de PMDB e PSDB, que tem caminhos mais ou menos definidos, os alcidistas parecem ainda não ter noção sobre para onde vão. O leque amplo demais, indo do DEM ao PT, tira das lideranças a capacidade de planejamento das ações, causa instabilidade e gera insegurança.
    
Avaliação
Para o secretário-geral do PP, Sérgio Lucas, a declaração de Daniel Goulart de que o PP mantém tucanos no governo por não possuir quadros é extremamente “equivocada e infeliz”. Seriam declarações deste tipo as causadoras de todo esse clima de guerra na base aliada. “Quando você é um homem público não pode vomitar o que vem à cabeça, nem agir como se estivesse em uma conversa de botequim”.

Procurado pela Tribuna, o presidente regional do PP, Sérgio Caiado, disse não ter conhecimento das manifestações de pepistas em favor do senador Marconi Perillo e se recusou a tecer qualquer comentário a respeito disso ou dos demais comentários dos deputados tucanos.



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